Setor diferente, mesma polêmica: “Uber dos seguros” é proibida de atuar

A empresa também foi proibida de divulgar e realizar publicidade dos produtos – e não pode nem renovar as apólices já contratadas

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Existe uma cruzada contra plataformas digitais em curso no Brasil, por parte das incumbentes tradicionais. Pior de tudo é que, desta vez, a atacada é uma subsidiária de uma dessas incumbentes tradicionais. Trata-se da guerra das seguradoras contra a Youse, a plataforma de seguros digital da Caixa.

Para “evitar que consumidores sejam prejudicados”, o juiz Alberto Nogueira Júnior, da 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, mandou suspender a comercialização dos produtos da Youse através de uma liminar determinou liminarmente na sexta-feira (18). A empresa também foi proibida de divulgar e realizar publicidade dos produtos – e não pode nem renovar as apólices já contratadas.

Tudo lindo, se o juiz não estivesse atendendo pedido da Federação Nacional de Corretores de Seguros Privados (Fenacor). Tudo se baseia no fato de que a Susep (Superintendência de Seguros Privados) também não tinha dado autorização para a Youse funcionar – embora a Caixa já tenha entrado com o pedido de autorização, que não foi aprovado.

É como se um juiz bloqueasse a Uber aos pedidos dos taxistas. E pior: no Brasil, para você inovar, só se você PEDIR AUTORIZAÇÃO. E para atestar que a situação é ruim, nem empresa ESTATAL pode inovar sem autorização. É tanto absurdo neste parágrafo que eu serei preso daqui a pouco!

Na decisão, o juiz destaca que “os consumidores não podem ser deixados em estado de insegurança e de risco, sem que os produtos oferecidos e os serviços prestados os sejam por profissionais devidamente habilitados por lei (corretores de seguros) e ausente qualquer fiscalização concreta e efetiva da Susep sobre como esses produtos e serviços vêm sendo oferecidos aos consumidores”. Não são argumentos muito similares aos que surgiram quando proibiram a Uber?

Enfim, a Youse existe para democratizar o acesso ao seguro. E esse é um trabalho muito nobre e muito necessário: seguros tendem a ser caros e ineficientes. Para ter certas coberturas, apenas se você contratar outras. Fintechs, como a Youse, virão e revolucionarão o mercado, não tenho dúvidas.

Noticia de:

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi.